Texto 1
“(...) Tinha o coração grosso, queria responsabilizar alguém
pela sua desgraça. A seca aparecia-lhe como um fato necessário
– e a obstinação da criança irritava-o. Certamente esse obstáculo
miúdo não era culpado, mas dificultava a marcha, e o vaqueiro
precisava chegar, não sabia onde. Tinham deixado os caminhos,
cheios de espinho e seixos, fazia horas que pisavam a margem do
rio, a lama seca e rachada que escaldava os pés. (...)”
(Graciliano Ramos, Vidas Secas. 1967)
Texto 2
“(...) De um dos cabeços da Serra dos Órgãos desliza um
fio de água que se dirige para o norte, e engrossado com os mananciais
que recebe no seu curso de dez léguas, torna-se rio caudal.
(...) lança-se rápido sobre o seu leito, e atravessa as florestas
como o tapir, espumando, deixando o pelo esparso pelas pontas
do rochedo, e enchendo a solidão com o estampido de sua carreira.
De repente, falta-lhe o espaço, foge-lhe a terra; o soberbo rio
recua um momento para concentrar as suas forças, e precipita-se
de um só arremesso, como o tigre sobre a presa. (...)”
(José de Alencar, O Guarani. 1986)
Pode-se afirmar que o Texto 1 descreve