TEXTO 1
Uma vez investido sobre o mundo humano, o medo adquire um ímpeto e uma lógica de desenvolvimento próprios e precisa de poucos cuidados e praticamente nenhum investimento adicional para crescer e se espalhar – irrefreavelmente. Nas palavras de David L. Altheide, o principal não é o medo do perigo, mas aquilo no qual esse medo pode se desdobrar, o que ele se torna. A vida social se altera quando as pessoas vivem atrás de muros, contratam seguranças, dirigem veículos blindados, portam porretes e revólveres, e frequentam aulas de artes marciais. O problema é que essas atividades reafirmam e ajudam a produzir o senso de desordem que nossas ações buscam evitar.
(BAUMAN, Sygmunt. Tempos líquidos. Trad. Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2007)
TEXTO 2
Mesmo antes da emoção do medo, como se observa na arqueologia linguística do termo, havia o Medo, puro, simples. Ele existe objetivamente no mundo, quer gostemos disso ou não, como um produto, uma qualidade de que são dotados certos fenômenos. Um precipício batido pelo vento é de dar medo, como uma fera predatória faminta. É o fato de que o mundo está cheio desses medos que nos ensina a sensação de pavor com que nos aproximamos deles. O medo é a reação adequada a estas ameaças. [...]. Os medos nos ensinam que nosso habitat é minado de potencialidades desastrosas, mais precisamente porque o medo representa as coisas ruins que podem acontecer, mas igualmente as que podem não acontecer, ele também nos vence ao nos fazer temer o que não existe e o inexplicado.
(WALTON, Stuart. Uma história das emoções. Trad. Ryta Vinagre. Rio de Janeiro: Record, 2007.
O elo entre o texto I e II pode ser verificado por meio da relação estabelecida de