Texto 14
Não há vagas
O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão
O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras
— porque o poema, senhores,
está fechado:
―não há vagas‖
Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço
O poema, senhores,
não fede
nem cheira
GULLAR, Ferreira. Não há vagas. Disponível em: https://poesiaspoemaseversos.com.br/ferreira-gullar-poemas/ Acesso em: 05 jun. 2021.
Texto 15
Mar Azul
mar azul
mar azul marco azul
mar azul marco azul barco azul
mar azul marco azul barco azul arco azul
mar azul marco azul barco azul arco azul ar azul
GULLAR, Ferreira. Mar azul. Disponível em: https://www.tudoepoema.com.br/ferreira-gullar-marazul/ Acesso em: 05 jun. 2021.
Texto 16
Meu povo, meu poema
Meu povo e meu poema crescem juntos
como cresce no fruto
a árvore nova
No povo meu poema vai nascendo
como no canavial
nasce verde o açúcar
No povo meu poema está maduro
como o sol
na garganta do futuro
Meu povo em meu poema
se reflete
como a espiga se funde em terra fértil
Ao povo seu poema aqui devolvo
menos como quem canta
do que planta
GULLAR, Ferreira. Meu povo, meu poema. Disponível em: https://www.tudoepoema.com.br/ferreiragullar-meu-povo-meu-poema/ Acesso em: 28 maio 2021.
Texto 17
Com base na leitura dos Textos 14, 15, 16 e 17, e tendo em vista as características da obra de Ferreira Gullar, assinale a alternativa CORRETA.