ENEM/OBJ 2025 · Questão 37
Texto 1
Fábula de um arquiteto
A arquitetura como construir portas, de abrir; ou como construir o aberto; construir, não como ilhar e prender, nem construir como fechar secretos; construir portas abertas, em portas; casas exclusivamente portas e tecto. O arquiteto: o que abre para o homem (tudo se sanearia desde casas abertas) portas por-onde, jamais portas-contra; por onde, livres: ar luz razão certa.
Até que, tantos livres o amedrontando, renegou dar a viver no claro e aberto. Onde vãos de abrir, ele foi amurando opacos de fechar; onde vidro, concreto; até fechar o homem: na capela útero, com confortos de matriz, outra vez feto.
MELO NETO, João Cabral de. A educação pela pedra e outros poemas. São Paulo: Alfaguara, 2008. p. 220.
Texto 2
Durante muitos anos, ele significou para mim lucidez, claridade, construtivismo. Em resumo: o predomínio da inteligência sobre o instinto. Digo muitos anos porque na última época de sua vida, na minha opinião, Le Corbusier caprichou para negar todos esses valores que ele pregava anteriormente. Falo sobre ele e sobre isso no poema "Fábula de um arquiteto". A ideia desse poema me veio ao visitar, na França, a capela de Ronchamp, por ele construída. Essa capela me provocou uma total irritação, que me senti obrigado a escrever esse poema, cuja segunda parte é uma descrição da antiarquitetura.

De acordo com João Cabral de Melo Neto, a "antiarquitetura" consiste na
Resolução passo a passo com explicação detalhada
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