TEXTO 2
[...]
[1] Por que terminamos tudo? Tolice... Sinto vontade de rir quando me lembro. Um dia fui ao
mato conversar sozinha com as árvores e abaixei-me para fazer xixi. Um galho de árvore
quebra-se de repente e eu, com o susto, me sento na terra molhada de meu próprio orvalho,
e instintivamente olho para cima. Lá estava o Rudi que, desonestamente, trepara para me
[5] ouvir conversar e declamar para as árvores. Fugi apavorada e a vergonha nunca mais deixou
que eu o encarasse. Parece que o meu pequeno romance, tão lindo, dos meus quinze anos,
tinha de acabar assim, tão prosaicamente!
Mas... meu Deus, tia Clara já deve estar quase de volta, Cidinha e Dora também. Percorri
toda a cidade da infância, o cemitério e só agora me apercebo de que o relógio não para. Vou
[10] começar a vestir-me para as lições das crianças de Frau Schmidt. Será que vem chuva? Deixa
ver o lado da Itoupava Seca. É... está mesmo carregado... Quem vem lá, não é o Zeca do
“Blumenau”? É ele, sim. Vou ao portão ver o que é.
– Mas Zeca, o Blumenau não saiu ou criou asas como nos contos de...
– Dona Lula, não quero lhe dizê nada. Queria era falá com sua tia. Ela está?
[15] – Não. Foi ao hospital. Mas que é que há homem? Desembucha!
– Não sei se devo, a senhora é moça e tão... mas já que ela não está, eu quero pedir um
favor: Não perca a Menininha de vista. Aquilo é danada, mais danada que pimenta!... Aquilo,
ninguém sabe o que é que tá ali.
[...]
(LAUS, Lausimar. O guarda-roupa alemão. Rio de Janeiro: Pallas, 1975, p. 49-50.)
Assinale a alternativa correta, tendo como referência o Texto 2.