Texto 2
Barcos de Papel
Quando a chuva cessava e um vento fino
Franzia a tarde úmida e lavada
Eu saía a brincar pelas calçadas
[80] Nos meus tempos felizes de menino.
Fazia de papel, toda uma armada
E, estendendo meu braço pequenino
Eu soltava os barquinhos sem destino
Ao longo das sarjetas, na enxurrada...
[85] Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles,
Que não são barcos de ouro os meus ideais
São barcos de papel, são como aqueles:
Perfeitamente, exatamente iguais!
Que os meus barquinhos, lá se foram eles!
[90] Foram-se embora e não voltaram mais.
(Guilherme de Almeida. In Acaso.)
Em relação às ideias do poema, escreva V para o que for verdadeiro e F para o que for falso.
( ) Nas duas primeiras estrofes do poema, a voz que se ouve é a do menino. Nas duas últimas, a voz do adulto.
( ) Na primeira estrofe, o vocábulo “chuva” deve ser lido como uma metáfora para pranto.
( ) Nos dois primeiros versos, o poeta trabalhou as percepções tátil, visual, olfativa e auditiva.
( ) No sintagma “vento fino”, há uma combinação inusitada entre o substantivo “vento” e o adjetivo “fino”. Essa combinação substitui o clichê “vento frio”. As duas expressões se misturam em nossa mente, levando-nos a sentir com mais intensidade o que diz o texto.
Está correta, de cima para baixo, a sequência seguinte: