TEXTO 3
[1] Dois dias depois foram para a Tijuca. Venancinha ia menos alegre do que
prometera; provavelmente era o exílio, ou pode ser também que algumas saudades. Em
todo caso, o nome de Vasco subiu a Tijuca, se não em ambas as cabeças, ao menos
na da tia, onde era uma espécie de eco, um som remoto e brando, alguma coisa que
[5] parecia vir do tempo da Stoltz e do ministério Paraná. Cantora e ministério, coisas
frágeis, não o eram menos que a ventura de ser moça, e onde iam essas três
eternidades? Jaziam nas ruínas de trinta anos. Era tudo o que D. Paula tinha em si e
diante de si.
Já se entende que o outro Vasco, o antigo, também foi moço e amou. Amaram-se,
[10] fartaram-se um do outro, à sombra do casamento, durante alguns anos, e, como o
vento que passa não guarda a palestra dos homens, não há meio de escrever aqui o
que então se disse da aventura. A aventura acabou; foi uma sucessão de horas doces e
amargas, de delícias, de lágrimas, de cóleras, de arroubos, drogas várias com que
encheram a esta senhora a taça das paixões. D. Paula esgotou-a inteira e emborcou-a
[15] depois para não mais beber. A saciedade trouxe-lhe a abstinência, e com o tempo foi
esta última fase que fez a opinião. Morreu-lhe o marido e foram vindo os anos. D. Paula
era agora uma pessoa austera e pia, cheia de prestígio e consideração.
Assis, Machado de. Várias histórias. São Paulo: Martin Claret, 2013, p. 127.
Assinale a alternativa correta em relação ao conto D. Paula, Machado de Assis, e ao Texto 3.