TEXTO 5
[1] Quando o ônibus apontou lá na esquina, Maria abaixou o corpo, pegando a sacola que estava no chão
entre as suas pernas. O ônibus não estava cheio, havia lugares. Ela poderia descansar um pouco, cochilar
até a hora da descida. Ao entrar, um homem levantou lá de trás, do último banco, fazendo um sinal para
o trocador. Passou em silêncio, pagando a passagem dele e de Maria. Ela reconheceu o homem. Quanto
[5] tempo, que saudades! Como era difícil continuar a vida sem ele. Maria sentou-se na frente. O homem
sentou-se a seu lado. Ela se lembrou do passado. Do homem deitado com ela. Da vida dos dois no
barraco. Dos primeiros enjoos. Da barriga enorme que todos diziam gêmeos, e da alegria dele. Que bom!
Nasceu! Era um menino! E haveria de se tornar um homem. Maria viu, sem olhar, que era o pai de seu
filho. Ele continuava o mesmo. Bonito, grande, o olhar assustado não se fixando em nada e em ninguém.
[10] Sentiu uma mágoa imensa. Por que não podia ser de uma outra forma? Por que não podiam ser felizes?
E o menino, Maria? Como vai o menino? cochichou o homem. Sabe que sinto falta de vocês? Tenho um
buraco no peito, tamanha a saudade! Tou sozinho! Não arrumei, não quis mais ninguém. Você já teve
outros... outros filhos? A mulher baixou os olhos como que pedindo perdão. É. Ela teve mais dois filhos,
mas não tinha ninguém também.
EVARISTO, Conceição. Olhos d’água. 1ª.ed. Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional,2015. p. 40.
Assinale a alternativa incorreta tendo como base o Texto 5.