TEXTO:
A assistência foi chamada. Veio tinindo. Um homem
estava morto. O cadáver foi removido para o necrotério.
Na seção dos “Fatos Diversos” do Diário de
Pernambuco, leio o nome do sujeito João da Silva.
[5] Morava na Rua da Alegria. Morreu de hemoptise.
João da Silva — Neste momento em que seu corpo
vai baixar à vala comum, nós, seus amigos e seus
irmãos, vimos lhe prestar esta homenagem. Nós somos
os joões da silva. Nós somos os populares joões da
[10] silva. Moramos em várias casas e em várias cidades.
Moramos principalmente na rua. Nós pertencemos,
como você, à família Silva. Não é uma família ilustre;
nós não temos avós na história. Muitos de nós usamos
outros nomes, para disfarce. No fundo, somos os Silva.
[15] Quando o Brasil foi colonizado, nós éramos os
degredados. Depois fomos os índios. Depois fomos os
negros. Depois fomos imigrantes, mestiços. Somos os
Silva. Algumas pessoas importantes usaram e usam
nosso nome. É por engano.
BRAGA, Rubem. Luto da Família Silva. 200 crônicas escolhidas. 37. ed. Rio de Janeiro: Record, 2014. p. 32.
A leitura desse fragmento de uma crônica de Rubem Braga permite que se considere correto afirmar que se trata de uma narrativa estruturada por meio de uma