Texto
(…) A base de toda sua argumentação consiste na distinção conceitual entre violência subjetiva e objetiva. A primeira é a que estampa de vermelho as páginas dos jornais – facilmente condenável –, os atos violentos individuais ou coletivos. A segunda é “sutil”, anônima e engendrada pelo próprio sistema das relações vigentes, ou seja, as crises econômicas, a exploração constante, a violência simbólica de classes etc: “a violência subjetiva é experimentada enquanto tal contra o pano de fundo de um grau zero de não violência. É percebida como uma perturbação do estado de coisas ‘normal’ e pacífico. Contudo, a violência objetiva é precisamente aquela inerente a esse estado ‘normal’ de coisas. A violência objetiva é uma violência invisível, uma vez que é precisamente ela que sustenta a normalidade do nível zero contra a qual percebemos algo como subjetivamente violento.”
Para o filósofo Slavoj Zizek, é por causa da ideologia subjacente ao discurso liberal que a violência intrínseca ao sistema capitalista pode ser ocultada e percebida como paz – sendo a própria ideologia um modo de violência: tendo a metafísica do mercado global como lei inquestionável, uma crise que arruína milhares ou milhões de vidas deve ser percebida como não violência, como um mal necessário a ser suportado.
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Tomando como referencial teórico a perspectiva apresentada pelo texto acima, há, na sociedade contemporânea: