Texto A
Outra
ontem
eu era outra
quando vim aqui
outra paisagem
[5] embora sempre
o seu aqui
o mesmo olhar
de cada vez
primeiro
[10] mesmo as pedras
mais pedras
menos que mesmas
a mesma água
é sempre outra
[15] a cada agora
outra somos eu
a cada onda
noutros meus pés.
CUNHA, Helena Parente. OUTRA. Disponível em: https://pdfcoffee. com/alem-de-estar-helena-parente-cunha-poemas-pdf-free.html. Acesso em: 13 dez. 2022.
Texto B
Mulher ao espelho
Hoje que seja esta ou aquela,
pouco me importa.
Quero apenas parecer bela,
pois, seja qual for, estou morta.
[5] Já fui loura, já fui morena,
já fui Margarida e Beatriz.
Já fui Maria e Madalena.
Só não pude ser como quis.
Que mal faz, esta cor fingida
[10] do meu cabelo, e do meu rosto,
se tudo é tinta: o mundo, a vida,
o contentamento, o desgosto?
Por fora, serei como queira
a moda, que me vai matando.
[15] Que me levem pele e caveira
ao nada, não me importa quando.
Mas quem viu, tão dilacerados,
olhos, braços e sonhos seus
e morreu pelos seus pecados,
[20] com Deus.
Falará, coberta de luzes,
do alto penteado ao rubro artelho.
Porque uns expiram sobre cruzes,
outros, buscando-se no espelho.
MEIRELES, Cecília. Mar Absoluto. In: Obra Poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar,1987, p.272.
Os poemas destacados pertencem a duas poetisas distintas, mas se identificam ao dar voz à sensibilidade e às percepções do universo feminino.
Sobre os poemas destacados, a alternativa que apresenta uma análise inadequada é a