TEXTO:
A vida só é possível
reinventada.
Anda o sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas...
Ah! tudo bolhas
que vem de fundas piscinas
de ilusionismo... — mais nada.
Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.
Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços
cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira
da lua, na noite escura.
Não te encontro, não te alcanço...
Só — no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
Só — na treva,
fico: recebida e dada.
Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.
MEIRELES, Cecília. Reinvenção. Cecília Meireles-obra poética. 3. ed. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1987. p.195.
Cecília Meireles, poeta modernista, insere-se ao grupo de escritores neo-simbolistas. Em seus poemas, há o registro de aspectos peculiares do Modernismo assim como reminiscências de características específicas dos simbolistas.
A alternativa em que ocorre ausência de característica de um desses movimentos literários em seu fazer poético é a