Texto
Adeus, meu Canto
Adeus, meu canto! É a hora da partida...
O oceano do povo s’encapela.
Filho da tempestade, irmão do raio,
Lança teu grito ao vento da procela.
O inverno envolto em mantos de geada
Cresta a rosa de amor que além se erguera...
Ave de arribação, voa, anuncia
Da liberdade a santa primavera.
É preciso partir, aos horizontes
Mandar o grito errante da vedeta.
Ergue-te, ó luz! — estrela para o povo,
— Para os tiranos — lúgubre cometa.
Adeus, meu canto! Na revolta praça
Ruge o clarim tremendo da batalha.
Águia — talvez as asas te espedacem,
Bandeira — talvez rasgue-te a metralha.
[...]
(ALVES, Castro. Melhores poemas de Castro Alves. 7. ed. São Paulo: Global, 2003, p. 109.)
Antônio de Castro Alves foi um poeta romântico da terceira geração e cultor da poesia “condoreira”, caracterizada pela abundância de imagens grandiosas e sonoras, adequadas à declamação pública. O poeta desvela as mazelas impregnadas nas camadas sociais, sobretudo a situação opressora pela qual passavam as senzalas brasileiras, em meio aos castigos dos seus senhores. Era imprescindível que alguém clamasse por liberdade, com a finalidade de despertar nas consciências a necessidade de um mundo mais igualitário e mais justo. Tais objetivos são materializados no texto “Adeus meu canto”.
Sobre esse poema de Castro Alves (Texto), marque a alternativa correta: