Texto
“Cai a chuva, o vento desmancha as árvores desfolhadas, e dos tempos passados vem uma imagem, a de um homem alto e magro, velho, agora que está mais perto, por um carreiro alagado. Traz um cajado ao ombro, um capote enlameado e antigo, e por ele escorrem todas as águas do céu [...]. O homem que assim se aproxima, vago entre as cordas de chuva, é o meu avô. Vem cansado o velho. Arrasta consigo setenta anos de vida difícil, de privações, de ignorância. E, no entanto, é um homem sábio, calado, que só abre a boca para dizer o indispensável. É um homem como tantos outros nesta terra, neste mundo, talvez um Einstein esmagado sob uma montanha de impossíveis, um filósofo, um grande escritor analfabeto. Alguma coisa seria que não pode ser nunca.”
(José Saramago - http://goo.gl/6NJ3jp)
No texto acima, pode-se observar a descrição poética que o narrador faz da figura do avô. Em algumas passagens, como as destacadas a seguir, percebe-se o uso de figuras de linguagem:
1. “...talvez um Einstein esmagado sob uma montanha de impossíveis...”
2. “...um escritor analfabeto."
Nessas passagens, tem-se o registro das seguintes figuras de linguagem: