Texto
Canção do Exílio
“Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá,
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais vida,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar – sozinho, à noite –
Mais prazer encontro eu lá.
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá.
Sem que desfrute os primores,
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras;
Onde canta o Sabiá.”
Gonçalves Dias. In. Primeiros Cantos)
Texto
Nova Canção do Exílio
Um sabiá
na palmeira, longe.
Estas aves cantam
um outro canto.
O céu cintila
sobre flores úmidas.
Vozes na mata,
e o maior amor.
Só, na noite,
seria feliz,
um sabiá,
na palmeira, longe.
Onde é tudo belo
e fantástico,
só, na noite,
seria feliz.
(Um sabiá,
na palmeira, longe.)
Ainda um grito de vida e
voltar,
para onde é tudo belo
e fantástico:
a palmeira, o sabiá,
o longe.
(Carlos Drummond de Andrade. In: A Rosa do Povo – 1945)
A propósito do texto, seguem duas afirmativas ligadas pela palavra PORQUE:
Considerando a relação de intertextualidade, o poema de Drummond é uma paráfrase do poema de Gonçalves Dias.
PORQUE
O poema de Drummond ridiculariza o sentimento saudosista, revelado pelo eu-lírico de Canção do Exílio em relação a sua terra natal.
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