TEXTO
ELEGIA
O olhar recebe a forma e esquece a essência
o ouvido perde a música. A mão
já não retém o eterno — nem o efêmero.
O louvor e o lamento a boca abandonaram
os pés. Não guiam mais: estranhos fios
o corpo levam pela estrada curta
e circular, deserta, seca e nua.
Dança fácil, não vida: horror ao chão
falso voo precoce, fuga para o sonho.
O destino e a paisagem rejeitamos;
a rosa o riso o pranto o medo o amor
— o inefável — que brota só da terra
e que os vivos acumulam para a morte
— Mas nós, que flor e fruto destruímos
que nos aliviará a fome e a sede quando
mortos sentirmos o coração vazio?
(FAUSTINO, Mário, O homem e sua hora. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p. 198.)
O Texto faz alusão a uma “[...] estrada curta / e circular [...]”. Em uma estrada circular, um transeunte percorreu 157 metros, o que corresponde a um quarto de toda a estrada.
A área do setor circular correspondente é de: