Texto I
Ninguém lembrava mais quem entrara arfante na sala de jantar gritando que havia uma sereia lá fora. Nem em que língua o anúncio fora feito. Mas não havia como esquecer o rebuliço que a notícia provocara. Mesmo sem terem terminado suas refeições, todos se levantaram de suas mesas e se puseram a falar ao mesmo tempo. As mulheres tentaram conter os maridos, algumas em prantos.
STIGGER, Veronica. Opisanie Świata. São Paulo: SESI-SP, 2018. p. 75.
Texto II
Primeiro alcançarás as Sirenas, elas que a todos
os homens enfeitiçam, todo que as alcançar.
Aquele que se achegar na ignorância e escutar o som
das Sirenas, para ele mulher e crianças pequenas não mais
aparecerão nem rejubilarão com seu retorno à casa,
pois as Sirenas com canto agudo o enfeitiçam,
sentadas no prado, tendo ao redor monte de putrefatos
ossos de varões e suas peles ressequidas.
HOMERO. Odisseia. Trad. Christian Werner. São Paulo: Cosac Naify, 2014. p. 350.
Vocabulário:
1) Sirena: sereia.
2) Putrefato: que está em putrefação, podre.
3) Varão: homem.
O Texto I pode ser relacionado ao episódio da mitologia grega, mencionado no Texto II, em que Odisseu precisa lidar com as sereias para voltar em segurança para casa. Nesse sentido, o pranto das mulheres do Texto I justifica-se porque o canto das sereias