Texto I
“Nos Estados Unidos a ideia de comunidade está fundada na igualdade e homogeneidade de todos os seus membros, aqui concebidos como cidadãos. Quer dizer: a comunidade pode ser concebida como igualitária porque não seria feita de famílias, parentelas e facções que objetiva e efetivamente têm propriedades, estilos e tamanhos e interesses diferentes, mas de indivíduos e cidadãos. No Brasil, por contraste, a comunidade é necessariamente heterogênea, complementar e hierarquizada. Sua unidade básica não está baseada em indivíduos (ou cidadãos), mas em relações e pessoas famílias e grupos de parentes e amigos. [...] Num caso o que conta é o indivíduo e o cidadão; noutro, o que vale é a relação”.
(DAMATTA, Roberto. A Casa & A Rua: Espaço, Cidadania, Mulher e Morte no Brasil. Rio de Janeiro: Rocco, 1997, p. 77-78).
Texto II
“Não é só pelo status que essas pessoas resolvem concorrer a cargos públicos. Não é para desfilar em festas em que estão presentes as autoridades de todos os poderes – inclusive do Judiciário, de quem rapidamente se aproximam. O principal objetivo é conquistar o foro privilegiado. Na prática, o foro privilegiado significa o seguinte: ser julgado pelas pessoas que frequentam as mesmas festas que nós. Gente que representa um poder cujo orçamento é definido pelo parlamento. E o parlamento somos nós. Para quem está no mandato, é muito mais fácil se defender de qualquer acusação. O deputado tem conexões, contatos, amizades”
(REIS, Márlon. O Nobre Deputado: Relato chocante [e verdadeiro] de como nasce, cresce e se perpetua um corrupto na política brasileira. Rio de Janeiro: LeYa, 2014, p. 72).
Texto III
“Qual o cerne, então, da república? A definição de monarquia destaca quem exerce o poder, e a de república para que serve o poder. Na monarquia manda um, e na república o poder é usado para o bem comum. Assim, embora quando um único mande, ele tenda a usar o poder em benefício próprio, a verdadeira ameaça à república está nesse uso do poder, e não na forma institucional: está nos fins, e não nos meios. Resumindo: o inimigo da república é o uso privado da coisa pública. É sua apropriação, como se fosse propriedade pessoal”
(RIBEIRO, Renato Janine. A República. São Paulo: Publifolha, 2008, p. 36).
Observando os textos acima, é CORRETO afirmar que