Texto I
PASSANDO DOS CINQUENTA
Meu pescoço se enruga.
Imagino que seja
de mover a cabeça
para observar a vida.
E se enrugam as mãos
cansadas dos seus gestos.
E as pálpebras
apertadas no sol.
Só da boca não sei
o sentido das rugas
se dos sorrisos tantos
ou de trancar os dentes
sobre caladas coisas.
Marina Colasanti. Disponível em: <www.jornal de poesia.jor.br>. Acesso 16 fev. 2013.
Texto II
RETRATO
Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida
a minha face?
Cecília Meireles. Disponível em: <www.jornal de poesia.jor.br>. Acesso 16 fev. 2013.
Os poemas fazem uma reflexão sobre a vida a partir da perspectiva do envelhecimento, que é marcado pelo tempo transcorrido e pelos siais corporais. Essa reflexão pode ser melhor observada: