TEXTO I
Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus,
Se eu deliro... ou se é verdade
Tanto horror perante os céus?!...
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
Do teu manto este borrão?
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão! ...
(Castro Alves, O Navio Negreiro)
TEXTO II
Que para o negro
Mesmo a AIDS possui hierarquia
Na África a doença corre solta
E a imprensa mundial dispensa poucas linhas
Dispensa poucas linhas
Comparado, comparado
Ao que faz com qualquer
Comparado, comparado
Figurinhas do cinema
Comparado, comparado
Ao que faz com qualquer
Figurinhas do cinema ou das colunas sociais
Todo camburão tem um pouco de navio negreiro
(O Rappa, Todo camburão tem um pouco de navio negreiro)
Os textos anteriores, um poema romântico e a letra de uma canção do final do século XX, trabalham conceitos que ilustram como as