Texto I
‘Stamos em pleno mar... Doudo no espaço
Brinca o luar — dourada borboleta;
E as vagas após ele correm... cansam
Como turba de infantes inquieta.
[5] ‘Stamos em pleno mar... Do firmamento
Os astros saltam como espumas de ouro...
O mar em troca acende as ardentias,
— Constelações do líquido tesouro...
[...]
Oh! que doce harmonia traz-me a brisa!
[10] Que música suave ao longe soa!
Meu Deus! como é sublime um canto ardente
Pelas vagas sem fim boiando à toa!
Castro Alves, “O navio negreiro”
Texto II
E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais ...
Se o velho arqueja, se no chão resvala,
[5] Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...
Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
[10] Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!
Castro Alves, “O navio negreiro”
O crítico Alfredo Bosi, ao referir-se ao poeta Castro Alves, afirma: “A palavra do poeta baiano seria, no contexto em que se inseriu, uma palavra aberta.” Todas as alternativas abaixo justificam a expressão usada pelo crítico, EXCETO: