Texto II
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O drama linguístico no Brasil
Em todas as sociedades, existe sempre um grupo de pessoas, uma classe social ou uma comunidade local específica, que acredita que o seu modo particular de falar a língua é o mais correto, o mais bonito, o mais elegante e, por isso, deve ser o modelo que as outras classes e comunidades precisam imitar. Em geral, são os moradores das regiões economicamente mais ricas, os habitantes de alto poder aquisitivo dos grandes centros urbanos, os cidadãos com acesso aos melhores meios de escolarização – enfim, aquilo que nas ciências sociais se chama de classes dominantes.
Essa situação varia muito de acordo com o grau de democratização das relações sociais de um país. Seja como for, esse elemento cultural está presente em qualquer grupo humano e em muitos lugares constitui um instrumento de conflitos e tensões sociais. [...]
No Brasil, a situação linguística revela um drama parecido, embora a violência aqui seja exercida no nível simbólico, mas nem por isso menos violenta. Os brasileiros urbanos letrados não só discriminam o modo de falar de seus compatriotas analfabetos, semianalfabetos, pobres e excluídos, como também discriminam o seu próprio modo de falar, as suas próprias variedades linguísticas.
Podemos dizer, portanto, que o preconceito linguístico no Brasil se exerce em duas direções: dentro da elite para fora dela, contra os que não pertencem às camadas sociais privilegiadas; e de dentro da elite para ao redor de si mesma, contra seus próprios membros. Isso porque, como eu já disse, existe uma mentalidade dos brasileiros em geral, e dos falantes urbanos escolarizados em particular, a convicção muito arraigada de que no Brasil ninguém fala bem o português. [...]
Fonte: BAGNO, Marcos. Não é errado falar assim: em defesa do português brasileiro. São Paulo: Parábola, 2010. 2 ed. Adaptado
É objetivo do autor do texto II: