Texto III
Vícios na fala
Para dizerem milho, dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados
Fonte: ANDRADE, Oswald de. Poesias reunidas. In.: ANDRADE, Oswald de. Obras completas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978, p. 47.
Texto IV
Leia este texto.
“[...] Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema. Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira.
O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado.
Mais rápida que a corça selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.
Um dia, ao pino do Sol, ela repousava em um claro da floresta. Banhava-lhe o corpo a sombra da oiticica, mais fresca do que o orvalho da noite. Os ramos da acácia silvestre esparziam flores sobre os úmidos cabelos. Escondidos na folhagem os pássaros ameigavam o canto”.
Fonte: ALENCAR, José de. Iracema: lenda do Ceará. Biografia, introdução e notas de M. Cavalcanti Proença. Rio de Janeiro: Ediouro, 1997.
Em Iracema, de José de Alencar, o índio é representado