TEXTO:
Já vem o peso do mundo
com suas fortes sentenças.
Sobre a mentira e a verdade
desabam as mesmas penas.
Apodrecem nas masmorras,
juntas, a culpa e a inocência.
O mar grosso irá levando,
para que ao longe se esqueçam,
as razões dos infelizes,
a franja das suas queixas,
o vestígio dos seus rastros,
a sua inútil presença.
[...]
Já vem o peso da vida,
já vem o peso do tempo:
pergunta pelos culpados
que não passarão tormentos,
e pelos nomes ocultos
dos que nunca foram presos.
Diante do sangue de forca
e dos barcos do desterro,
julga os donos da justiça,
suas balanças e preços.
E contra os seus crimes lavra
a sentença do desprezo.
MEIRELES, Cecília. Romance LI ou DAS SENTENÇAS. Romanceiro da Inconfidência. 4. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979. p.134-135.
Na segunda estrofe, evidencia-se que “os donos da Justiça”