TEXTO:
Morri! E a Terra — a mãe comum — o brilho
Destes meus olhos apagou!… Assim
Tântalo, aos reais convivas, num festim,
Serviu as carnes do seu próprio filho!
[5] Por que para este cemitério vim?!
Por quê?! Antes da vida o angusto trilho
Palmilhasse, do que este que palmilho
E que me assombra, porque não tem fim!
No ardor do sonho que o fronema exalta
[10] Construí de orgulho ênea pirâmide alta,
Hoje, porém, que se desmoronou
A pirâmide real do meu orgulho,
Hoje que apenas sou matéria e entulho
Tenho consciência de que nada sou!
ANJOS, Augusto dos. Vozes de um túmulo. EU. Disponível em: https://escolaeducacao.com.br/melhores-poemas-de augusto-dosanjos/. Acesso em 12 nov. 2019.
O poema revela um eu lírico cônscio de finitude e, diante disso, antevê o seu morrer e, em seu percurso,
I. busca compreender sua trajetória de vida e se surpreende com os acontecimentos.
II. considera a terra uma mãe desnaturada por não o poupar do sofrimento.
III. iguala-se ao mito grego e à forma de sua morte em relação à própria.
IV. reconhece-se um ser dotado de qualidades inexistentes nos demais mortais.
V. confronta-se com a sua verdade íntima, mas a rejeita, desconsiderando-a.
A alternativa em que todas as afirmativas indicadas estão corretas é a