TEXTO:
Não me Deixes!
Debruçada nas águas dum regato
A flor dizia em vão
À corrente, onde bela se mirava...
“Ai, não me deixes, não!
[5] “Comigo fica ou leva-me contigo
“Dos mares à amplidão,
Límpido ou turvo, te amarei constante
“Mas não me deixes, não!”
E a corrente passava; novas águas
[10] Após as outras vão;
E a flor sempre a dizer curva na fonte:
“Ai, não me deixes, não!”
E das águas que fogem incessantes
À eterna sucessão
[15] Dizia sempre a flor, e sempre embalde:
“Ai, não me deixes, não!
Por fim desfalecida e a cor murchada,
Quase a lamber o chão,
Buscava inda a corrente por dizer-lhe
[20] Que a não deixasse, não.
A corrente impiedosa a flor enleia,
Leva-a do seu torrão;
A afundar-se dizia a pobrezinha:
“Não me deixaste, não!”
DIAS, Gonçalves. In: MOISÉS, Massaud. A Literatura Brasileira através de textos. 21. ed. rev. e aum. São Paulo: Cultrix, 1998. p. 135-6.
Em relação aos recursos estilísticos utilizados no poema, registra-se uma classificação inadequada em