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O conceito (de imagem de controle) define as imagens que legitimam e naturalizam ideologicamente a dominação e a opressão, que atribui certas características inatas e específicas a grupos racializados/oprimidos para justificar sua própria opressão e circulam pelos meios de comunicação de massa, como o cinema. “Essas imagens de controle são projetadas para fazer com que o racismo, o sexismo, a pobreza e outras formas de injustiça social pareçam ser partes naturais, normais e inevitáveis da vida cotidiana”, diz a socióloga.
Vale ressaltar que, para Collins, (socióloga estadunidense) todos os grupos sociais estão submetidos às imagens de controle. Os homens brancos, por exemplo, possuem sua imagem atrelada à inteligência, poder e controle. O que não é necessariamente a realidade de todos. As diferenças residem no fato de que, para grupos não racializados, as imagens são positivas, mas que para coletividades atravessadas por interseccionalidade (como as mulheres negras) as imagens são sempre desfavoráveis.
Por certo, determinadas imagens naturalizam desigualdades sociais, congelam sujeitos negros a seus “lugares naturais” – os porões dos navios negreiros, senzalas, favelas, cortiços, delinquência, presídios, hospícios, necrotérios, os lugares da dominação – a “lata de lixo da sociedade” brasileira, como nomeou a antropóloga Lélia Gonzalez.
No caso brasileiro, imagens de controle incidem vigorosamente sob a população negra, particularmente nas mulheres negras. Em nosso imaginário, há lugares destinados social e historicamente às mulheres negras, duas figuras recorrentes ocupam esse lugar: a “negra servente” e a “mulata assanhada”. A literatura apresenta vários exemplos, entre eles o conhecido romance O cortiço (1890) de Aluísio Azevedo. Ainda que condicionado pelos determinismos próprios do Naturalismo, o livro permanece atual na evidência das imagens de controle.
DISPONÍVEL EM: http://www.suplementopernambuco.com.br/artigos/2312-representatividade-eracismo-incurs%C3%B5es-sobre-imagens-de-peles-negras.html (adaptado)
O conceito exposto no texto acima, quando aplicado à análise sociológica da sociedade brasileira: