TEXTO
O PALHAÇO
O palhaço andava triste. Devia dinheiro pra um negociante da alta: o acrobata.
Casado com a mulher barbada — as mais feias são mais vaidosas! E sofrem demais... —, o bufo gastava muito com véus e pílulas. Uma grana elevadíssima. Estava se virando pra pagar. O que entrava, num piparote sumia com os juros exorbitantes. No bolso largo, perdia a mão enluvada. Umas moedinhas infelizes: café & cigarro. Entrava no picadeiro com o andar pendente. A música alta. Os chacais da plateia e suas cabeças felizes enchendo-se de guloseimas. Olha maria moooooleeeee! Olha Minduiiiiim. Nada a fazer. Era só um palhaço. Como devia ser, curvava o corpo elasticodolor para além da claraboia, lá onde a lona mira o sol. E lançava o seu riso alucinado acima do voo do acrobata.
Disponível em: http://www.candido.bpp.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=260. Acesso em: 29/6/2017.
Em relação ao gênero, o texto se caracteriza como: