Texto
Outro dia sonhei com meu avô.
No sonho ele me dizia que tinha voltado ao Brás,
para rever a casa, mas ela já não existia...
“Fui então até a esquina, mas a leiteria do Mário
também não existia, nem a esquina existia mais.
– Não está vendo o metrô? Essa rua não existe mais!
Então fui até a grande avenida, e a velha escola já não
existia, nem o cinema, o maior cinema do Brasil!
Mas de repente lá estava ela!
Parecia tão menor agora, espremida entre os prédios,
mais escura, mais triste. Mas ela estava lá, a igreja onde a
Speranza e eu nos casamos, batizamos e casamos nossos
filhos e nossos netos. Você também Piccirella.
Ela estava lá e a sua realidade, a sua presença
me dava a felicidade de um sonho. Então eu pude
respirar aliviado.
Por alguns momentos eu cheguei a pensar que eu
sequer tivesse existido. Ah! Se eu soubesse que as
coisas iriam desaparecer tão facilmente, eu teria
dedicado mais tempo em me lembrar delas.”
(Extraído do encarte do CD Per amore de Zizi Possi, 1997).
O texto aborda a questão da relação da sociedade com o seu espaço e o seu tempo vividos, ou seja, a questão da experiência de vida do indivíduo com o seu lugar, representado pelo bairro do Brás, na cidade de São Paulo.
Na experiência do indivíduo com o lugar, em foco na história acima, enfatiza-se a dimensão: