Texto para a pergunta
Leia os seguintes trechos de entrevista concedida pelos escritores João Ubaldo Ribeiro e Ariano Suassuna ao jornalista Geneton de Moraes Neto:
I
GMN: O Brasil é um país que vive uma crise crônica de identidade. Escrever
livros como Viva o Povo Brasileiro é uma maneira de exorcizar essa crise?
J. Ubaldo: Você já coloca uma premissa sobre crise de identidade. Acontece
que não acho que o Brasil viva uma crise de identidade permanente. Não sei
se vive. Mas não penso nessas questões. Quando uma pessoa escreve algo que
repercute, há sempre o impulso natural de enquadrar a obra em categorias
pré-fabricadas ou pré-moldadas. Mas a realidade é que as coisas não
acontecem assim. Não escrevi pensando em identidade nacional nem em coisa
nenhuma. Escrevi - simplesmente. Não sei o que é. Viva o Povo Brasileiro não
é uma tentativa de entender o Brasil. O que fiz foi escrever um livro. Eu poderia
mentir a você abundantemente sobre o que resultou - a partir do que os outros
escreveram e pensaram. Mas Viva o Povo Brasileiro é só um romance.
II
GMN: Todo escritor, em última instância, escreve para ser lembrado. Isso é
que motiva o senhor a escrever?
A. Suassuna: A literatura é uma forma de protestar contra a morte. Em
minha visão, a literatura - e a arte, de modo geral - é uma forma precária,
mas, ainda assim, poderosa de afirmar a imortalidade. O homem não nasceu
para a morte: o homem nasceu para a vida e para a imortalidade.
GMN: Como é o Brasil dos sonhos de Ariano Suassuna?
A. Suassuna: Eu sei que é um sonho – mas sem sonho a gente não vive. É
necessário, ao ser humano, um sonho – lá na frente para que a gente não se
acomode e procure aquele ideal. O Brasil com que sonho, então, seria um
regime no qual a gente realizasse, pela primeira vez na história humana, a
fusão de justiça e liberdade.
http://g1.com, 18 e 23 de julho/2014.
Considerando as respostas de ambos os entrevistados, pode-se afirmar que eles