Texto para a questão
CANTO DO RIO EM SOL
I
Guanabara, seio, braço
de a-mar:
em teu nome, a sigla rara
dos tempos do verbo mar.
Os que te amamos sentimos
e não sabemos cantar:
o que é sombra do Silvestre
sol da Urca
dengue flamingo
mitos da Tijuca de Alencar.
Guanabara, saia clara
estufando em redondel!
que é carne, que é terra e alísio
em teu crisol?
Nunca vi terra tão gente
nem gente tão florival.
Teu frêmito é teu encanto
(sem decreto) capital.
Agora, que te fitamos
nos olhos,
e que neles pressentimos
o ser telúrico, essencial,
agora sim és Estado
de graça, condado real.
(...)
Carlos Drummond de Andrade, Lição de coisas.
Considere as seguintes afirmações sobre a poesia de Carlos Drummond de Andrade, atribuídas a ele próprio e aqui reproduzidas com adaptações:
I O poeta afasta-se parcialmente da forma fixa, voltando ao verso que tem apenas a medida e o impulso determinados pelo conteúdo poético a exprimir.
II Pratica, mais do que antes, certa desintegração da palavra, sem, entretanto, aderir a qualquer receita poética vigente.
III A relativa desordem implantada em suas composições é, conscientemente, aspiração a uma ordem individual.
É aplicável ao excerto de “Canto do Rio em Sol”, acima reproduzido, o que está afirmado em