Texto para a questão.
Carnaval Carioca
(1923)
a Manuel Bandeira
A fornalha estrala em mascarados cheiros silvos
Bulhas de cor bruta aos trambolhões
Cetins sedas cassas fundidas no riso febril…
Brasil!
Rio de Janeiro!
Queimadas de verão!
E ao longe, do tição do Corcovado a fumarada das nuvens pelo céu.
Carnaval…
Minha frieza de paulista
Policiamentos interiores,
Temores da exceção…
E o excesso goitacá pardo selvagem!
Cafrarias desabaladas
Ruínas de linhas puras
Um negro dois brancos três mulatos, despudores…
O animal desembesta aos botes pinotes desengonços
No heroísmo do prazer sem máscaras supremo natural.
Tremi de frio nos meus preconceitos eruditos
Ante o sangue ardendo do povo chiba frêmito e clangor
Risadas e danças
Batuques maxixes
Jeitos de micos piricicas
Ditos pesados, graça popular…
Ris? Todos riem…
Mário de Andrade, Clã do Jabuti.
Na literatura da década de 1930, – na medida em que esse período se mostra marcado pelos romances de Graciliano Ramos, José Lins do Rego e Jorge Amado, entre outros –, a preferência pela matéria brasileira, manifesta no poema de Mário de Andrade,