Texto para a questão.
...É claro que, como todo escritor, tenho a tentação de usar termos suculentos: conheço adjetivos esplendorosos, carnudos substantivos e verbos tão esguios que atravessam agudos o ar em vias de ação, concordais? Mas não vou enfeitar a palavra, pois se eu tocar no pão da moça esse pão se tornará em ouro — e a jovem (ela tem dezenove anos) - e a jovem não poderia mordê-lo, morrendo de fome. Tenho então que falar simples para captar a sua vaga e delicada existência. (...) limito-me a contar as fracas aventuras de uma moça numa cidade toda feita contra ela.
(in “A hora da estrela”, Clarice Lispector)
“Se eu tocar no pão da moça esse pão se tornará em ouro e a jovem não poderia mordê-lo, morrendo de fome.”
No excerto há referência ao rei Midas, personagem mitológico que escolheu o poder de transformar em ouro tudo o que tocava, acumulando riqueza, até perceber que não podia comer ou beber, pois tudo se transformava em ouro.
O contexto permite inferir que o escritor detém esse poder e pode exercê-lo por meio