Texto para a questão:
As palavras do amor expiram como os versos,
Com que adoço a amargura e embalo o pensamento:
Vagos clarões, vapor de perfumes dispersos,
Vidas que não têm vida, existências que invento;
Esplendor cedo morto, ânsia breve, universos
De pó, que o sopro espalha ao torvelim¹ do vento,
Raios de sol, no oceano entre as águas imersos
− As palavras da fé vivem num só momento…
Mas as palavras más, as do ódio e do despeito,
O “não!” que desengana, o “nunca!” que alucina,
E as do aleive², em baldões³, e as da mofa4, em risadas,
Abrasam-nos o ouvido e entram-nos pelo peito:
Ficam no coração, numa inércia assassina,
Imóveis e imortais, como pedras geladas.
(“Palavras”, de Olavo Bilac)
¹torvelim: redemoinho
²aleive: traição
³baldões: injúrias
4mofa: zombaria
Considere os aspectos formais do soneto acima, para assinalar a afirmativa incorreta.