Texto para a questão
Não vira em minha vida a formosura,
Ouvia falar nela cada dia,
E ouvida me incitava, e me movia
A querer ver tão bela arquitetura:
Ontem a vi por minha desventura
Na cara, no bom ar, na galhardia
De uma mulher, que em Anjo se mentia:
De um Sol, que se trajava em criatura:
Matem-me, disse eu vendo abrasar-me,
Se esta a cousa não é, que encarecer-me
Sabia o mundo, e tanto exagerar-me:
Olhos meus, disse então por defender-me,
Se a beleza heis de ver para matar-me,
Antes olhos cegueis, do que eu perder-me.
MATOS, Gregório. Disponível em http://bibliotecamunicipalmurilomendes.blogspot.com.br/2009/04/gregorio-de-matos.html Acesso em 30 abr. 2016.
No soneto, explicita-se a reação do eu lírico à beleza de uma mulher. Tal reação ilustra a influência que exerceu, sobre a arte do século XVII, a ideologia