Texto para a questão
(...) se a democracia [no Brasil] se consolida e caminha para a frente, a República ainda lembra um esboço que não alcançou forma. República não é apenas um regime determinado de governo; ela remete à significação de “coisa pública”. O que pertence ao povo, o que se refere ao domínio público, o que é de interesse comum e se opõe ao mundo dos assuntos privados. Sua principal virtude é a afirmação do valor da liberdade política, da igualdade dos cidadãos e do direito deles de participar da vida pública. Seu grande inimigo é a corrupção.
A corrupção não é um fenômeno exclusivo do Brasil – ela ocorre na grande maioria dos países. Também entre nós, ela sempre existiu, de um modo ou de outro. Tanto que, com frequência, a corrupção costuma ser associada à própria identidade do brasileiro, como se esse fosse um destino inevitável; quase uma questão endêmica. Segundo essa visão, o Brasil seria forçosa e definitivamente corrupto devido a certas práticas e comportamentos - o “jeitinho”, a malandragem, o político ladrão – que, desde sempre presentes na nossa história, fazem parte de um suposto caráter do brasileiro, o que formaria uma espécie de “cultura de corrupção”. Essa abordagem, além de preconceituosa, naturaliza a corrupção no país, simplifica e congela sua compreensão, assim como impede o combate a um fenômeno de alta complexidade – além de desvalorizar as atitudes e os movimentos de opinião pública que expressam a revolta dos brasileiros contra essa prática
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SCHWARCZ, L.; STARLING, H. M. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015, p. 503-504.
De acordo com o texto, a República, no Brasil, “ainda lembra um esboço”, porque