Texto para a questão.
Ser miserável dentre os miseráveis
Carrego em minhas células sombrias
Antagonismos irreconciliáveis
E as mais opostas idiossincrasias!
Muito mais cedo do que o imaginável
Eis-vos, minha alma, enfim dada às bravias
Cóleras dos dualismos implacáveis
E à gula negra das antinomias!
Psique biforme, o Céu e o Inferno absorvo...
Criação a um tempo escura e cor-de-rosa,
Feita dos mais variáveis elementos,
Ceva-se em minha carne, como um corvo,
A simultaneidade ultramonstruosa
De todos os contrastes famulentos!
Augusto dos Anjos
Augusto dos Anjos (1884-1914) é um continuador de Cruz e Sousa, mas independente: renova-lhe a linha de força central sem insistir nos chavões que lhe marcam indelevelmente a poesia. O conflito íntimo de Augusto dos Anjos ultrapassa as barreiras da subjetividade, identificando-se, segundo as palavras do poeta, com as forças geradoras do ser e do mundo.
A leitura do soneto, posto acima, revela que o conflito do poeta não se resolve; antes, pelo contrário, transforma-se em