Texto para responder a questão.
A implosão da mentira (Fragmento 1)
Mentiram-me. Mentiram-me ontem
e hoje mentem novamente. Mentem
de corpo e alma, completamente.
E mentem de maneira tão pungente
[5] que acho que mentem sinceramente.
Mentem, sobretudo, impune/mente.
Não mentem tristes. Alegremente
mentem. Mentem tão nacional/mente
que acham que mentindo história afora
[10] vão enganar a morte eterna/mente.
Mentem. Mentem e calam. Mas suas frases
falam. E desfilam de tal modo nuas
que mesmo um cego pode ver
a verdade em trapos pelas ruas.
[15] Sei que a verdade é difícil
e para alguns é cara e escura.
Mas não se chega à verdade
pela mentira, nem à democracia
pela ditadura.
ANTT'ANNA, A, R. Disponível em: http://www.releituras.com/ arsantimplosao.asp. Acesso em: 8 set. 2016.
O poema apresentado foi publicado em diversos jornais em 1980 e ainda se mantém atual.
Entretanto, a concepção da mentira – não como um mero desvio de caráter de uma parcela da população, mas como uma importante ferramenta utilizada, em menor ou maior grau, por todo ser humano no jogo da sobrevivência – também marcou as principais obras do