TEXTO:
Pedras na vesícula
Eu não poderia me imaginar tendo dores terríveis e, enquanto durassem, me transformar numa pedra?
Wittgenstein
No princípio era a imagem:
Uma ressonância magnética
Com seu ruído ensurdecedor
De engrenagens sem graxa.
[5] Outra imagem mais precisa:
Um ultrassom silencioso
Confirma em tom cinza
Prévia e infame suspeita.
A inflamação da vesícula
[10] Resulta da pura realidade:
A pedra, seu real símbolo
É aqui somente pedra
Não a pedra-metáfora
Não a litografia da ciência
[15] Mas o pedregulho vulgar
Com sua cláusula pétrea.
E a dor da pedra-pedra
É a própria pedra em flor
Desabrochando suas pétalas
[20] Deitando raiz no meu âmago.
SMITH, Plínio Junqueira. Pedras na vesícula. Corpo Estranho. São Paulo: Alameda, 2011.
Na leitura dos versos de Plínio Junqueira Smith, o aspecto estilístico do texto que está devidamente analisado é o indicado em