Texto
Prezado Sr. Opalka,
é com grande pesar que levo ao conhecimento de V.Sa. que seu filho, o Sr. Natanael Martins, se encontra internado, em estado grave, em nosso hospital. Ele rogou-me que lhe encaminhasse a carta anexa, a mim tão sofridamente ditada.
Sinto-me na obrigação de dizer-lhe ainda que a progressiva debilidade do estado de saúde de seu filho tem, nos últimos dias, afetado a sua capacidade de entendimento e de raciocínio. Por isso, suplico-lhe, não se atenha aos detalhes e não julgue a carta por aquilo que ela diz, mas por aquilo que ela quer dizer.
STIGGER, Veronica. Opisanie Świata. São Paulo: SESI-SP, 2018. p. 7.
Texto
– Tome – disse Bopp, estendendo-lhe [a Opalka] um caderninho preto. – É um presente. Serve para fazer anotações. Para que o senhor escreva o que passou. Ajuda a superar. E a não esquecer. A gente escreve para não esquecer. Ou para fingir que não esqueceu.
Bopp se calou e, depois de um tempo, acrescentou:
– Ou para inventar o que esqueceu. Talvez a gente só escreva sobre o que nunca existiu.
STIGGER, Veronica. Opisanie Świata. São Paulo: SESI-SP, 2018. p. 145.
Os textos tratam, respectivamente, da carta de Natanael ao pai e do caderno que Bopp dá de presente a Opalka. Os trechos têm em comum a concepção de escrita como um(a)