Texto
Pronto. Assim devia terminar uma aula: com um golpe seco, incisivo, para que não se diluísse e sim germinasse, posteriormente, nos espíritos. Uma aula cujo tema ele anotaria no diário de classe como “Do ovo a Deus”, para desgosto do chefe do departamento. Olhou para o relógio e viu que ainda faltavam trinta minutos para o término regulamentar da aula de uma hora e meia. Lembrou-se, porém, das palavras de Ezra Pound. “O professor ou conferencista é um perigo. O conferencista é um homem que tem de falar durante uma hora. É possível que a França tenha adquirido a liderança intelectual da Europa a partir do momento em que a duração de uma aula foi reduzida para quarenta minutos.”
Diante disso, só lhe restava recolher o ovo, as trevas, e despedir-se altivamente. Estava de bom humor, com a sensação de um duro dever cumprido, e sua ressaca havia passado. Mas começou a ouvir algo assim como um murmúrio ritmado e grave, a princípio de forma tímida e que depois foi crescendo, permitindo-lhe que o identificasse como sendo a palavra ovo invocada cadenciadamente por trinta bocas. Viu também quando o chefe do departamento que julgava incluir-se entre as suas obrigações a de bedel, passou pelo corredor e olhou estupefacto
para dentro da sala. Mas não tinha importância, pois aquela resposta da classe era como que uma verificação prática do seu método experimental. E o resultado do teste lhe parecia satisfatório, eis que, neste momento preciso em que a sua mente também se impregnava daquele mantra, foi tomado pela Grande Revelação, que, como no caso da travessia das trevas pela luz, se não era uma certeza palpável, ao menos se constituía numa hipótese de tal grandiosidade que poderia fazer de uma reles aula uma obra de arte.
A princípio foi assaltado pela tentação de escondê-la, egoisticamente, daqueles espíritos ainda verdes, que talvez a degradassem com gracejos. E poderia guardá-la para algum ensaio mantido rigorosamente em segredo até sua publicação. Mas algo assim como probidade intelectual, misturada à ansiedade diante de sua descoberta, levou-o a expô-la aos alunos, lembrando-se ainda de que o mais eminente de todos os linguistas, Ferdinand de Saussure, jamais escrevera um livro. E que seus ensinamentos se perenizaram através das anotações dos discípulos.
[...]
(SANT’ANNA, Sérgio. Breve história do espírito. 2. reimpr. São Paulo: Companhia das Letras, 1991, p. 78-79. Adaptado.)
No Texto, temos: “[...] era como que uma verificação prática do seu método experimental”. Um “Pêndulo de Newton” é um minilaboratório em que se pode verificar experimentalmente os princípios de conservação de energia e momento linear (quantidade de movimento), por meio de colisões entre pêndulos. Esse aparato é formado por um conjunto de pêndulos idênticos, de mesma massa, em contato entre si (como representa a figura abaixo). Considerando-se perfeitamente elásticas as colisões entre as esferas e que todas se encontram inicialmente em repouso, pode-se fazer as seguintes afirmações:
I-Nas colisões entre os pêndulos, tanto o momento quanto a energia cinética do sistema se conservam.
II- Se em um pêndulo de 8 esferas como o da figura forem deslocadas seis esferas para o lado esquerdo a partir da posição de equilíbrio, então, após a colisão, as duas esferas restantes se deslocarão com uma velocidade
vezes maior, enquanto as seis inicialmente em movimento passarão ao estado de repouso.
III-Deslocando-se, inicialmente, cinco esferas para a esquerda e soltando-as em seguida, após a colisão, as três mais à esquerda dessas cinco esferas ficam em repouso, e as outras duas permanecem com o mesmo movimento de antes da colisão, ao passo que as três esferas da direita, que estavam em repouso, passam a se mover para a direita, simultaneamente e com velocidade igual à dessas duas esferas.
Com base nas sentenças anteriores, marque a alternativa em que todos os itens estão corretos: