TEXTO:
Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
[5] existe apenas o medo, nosso pai e nosso
[companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das
[igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos
[democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da
[morte.
[10] Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e
[medrosas.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Congresso Internacional do Medo.
O poema, diferente do texto anterior, foi escrito após a Primeira Guerra Mundial e na iminência da segunda.
Para a construção de sua mensagem, Carlos Drummond de Andrade utiliza-se, dentre outros, de um recurso estilístico denominado de