TEXTO:
Quando um homem morre, ele se reintegra em
sua respeitabilidade a mais autêntica, mesmo tendo
cometido loucuras em vida. A morte apaga, com sua
mão de ausência, as manchas do passado e a
[5] memória do morto fulge como diamante. Essa a tese
da família, aplaudida por vizinhos e amigos. Segundo
eles, Quincas Berro Dágua, ao morrer, voltara a ser
aquele amigo e respeitável Joaquim Soares da Cunha,
de boa família, exemplar funcionário da mesa de
[10] rendas estadual, de passo medido, barba escanhoada,
paletó negro de alpaca, pasta sob o braço, ouvido
com respeito pelos vizinhos, opinando sobre o tempo
e a política, jamais visto num botequim, de cachaça
caseira e comedida. Em realidade, num esforço digno
[15] de todos os aplausos, a família conseguira que assim
brilhasse, sem jaça, a memória de Quincas desde
alguns anos, ao decretá-lo morto para a sociedade.
Dele falavam no passado quando, obrigados pelas
circunstâncias, a ele se referiam.
AMADO, Jorge. A morte e a morte de Quincas Berro Dágua. São Paulo, Companhia das Letras, 2008. p. 91-92.
Marque com V ou com F, conforme sejam, respectivamente, verdadeiras ou falsas as afirmativas sobre o autor do texto e sobre a obra de onde foi retirado.
( ) Nessa obra, o autor se afasta da abordagem crítica de questões sociais de seus romances anteriores para se concentrar na criação de tipos humanos especiais e na ênfase na cor local e costumes típicos – o que granjeou grande sucesso popular para sua obra.
( ) Essa obra integra um momento da produção literária do autor em que o seu foco se desloca da crítica social para crítica de costumes, voltando-se para a criação de personagens que promovem uma ruptura com os valores pequeno-burgueses da classe média.
( ) O conjunto das obras do autor se concentra num foco único, que privilegia a denúncia da exploração sofrida pelas classes marginalizadas, com a criação de personagens que são heróis e cujo comportamento revolucionário se volta para a superação das injustiças sociais.
( ) Mesmo que o autor seja situado na segunda fase do modernismo – de 1930 a 1945, quando os romances se dedicam a registrar criticamente a realidade brasileira – essa obra foi publicada pela primeira vez na década de 50, quando o autor se volta para um percurso literário diferenciado.
( ) Considerado um clássico da literatura brasileira, essa obra se situa num momento literário denominado regionalismo nordestino, do qual fazem parte autores como Rachel de Queiroz, José Lins do Rego e Graciliano Ramos, que produzem uma literatura engajada na luta contra a miséria social provocada pela seca e pelo coronelismo.
A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é a