Texto
Satélite
Fim de tarde.
No céu plúmbeo
A lua baça
Paira.
[90] Muito cosmograficamente
Satélite.
Desmetaforizada,
Desmitificada,
Despojada do velho segredo de melancolia,
[95] Não é agora o golfão de cismas,
O astro dos loucos e enamorados,
Mas tão somente
Satélite.
Ah! Lua deste fim de tarde,
[100] Desmissionária de atribuições românticas;
Sem show para as disponibilidades sentimentais!
Fatigado de mais-valia,
gosto de ti, assim:
Coisa em si,
[105] -Satélite.
(BANDEIRA, Manuel. Estrela da Tarde. Rio de Janeiro: Nova Fronteira [1963], 2007, p. 268)
Nos trechos “Desmetaforizada, Desmitificada” (linhas 92-93) e “Desmissionária de atribuições românticas” (linha 100), o prefixo de negação se manifesta para