Texto VIII
Dona Petronilha – vamos chamá-la assim, pois como não conheço mesmo ninguém com esse nome, servirá ele para batizar essa dama. Dama que existiu com sua voz macia e olhos de aço, [...]. Falar com Dona Petronilha era falar em alma piedosa, sem orgulho, pronta para descer de seu pedestal para se dedicar às obras de caridade que o jornal local apregoava e que o padre mencionava com fartura de detalhes nos sermões de domingo. Tinha cadeira cativa na igreja, controle total das quermesses no Largo do Jardim, nome gravado no mármore da biblioteca e opinião acatada pelo juiz quando a pequena sala do fórum se agitava nos julgamentos locais. Afinal, quem ajudou a reconstruir a cadeia?
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Lembro-me agora da figura bem desenhada de dona Petronilha, a de voz macia e olhos de aço. E vejo nessa figura de minha infância o símbolo da burguesia diante da qual se curvavam os poderes públicos e a igreja.”
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TELLES, Lygia Fagundes. A disciplina do amor. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
O fragmento em que ocorre contundente subjetividade na crítica feita à dona Petronilha é: