TEXTO
Vivemos um novo período na história da humanidade. A base dessa verdadeira revolução é
o progresso técnico, obtido em razão do desenvolvimento científico e baseado na importância
obtida pela tecnologia, a chamada ciência da produção.
Graças às novas técnicas, a informação pode se difundir instantaneamente por todo o planeta, e o
[5] conhecimento do que se passa em um lugar é possível em todos os pontos da Terra. A produção
globalizada e a informação globalizada permitem a emergência de um lucro em escala mundial,
buscado pelas firmas globais, que constituem o verdadeiro motor da atividade econômica.
Tudo isso é movido por uma concorrência superlativa entre os principais agentes econômicos – o
que se pode chamar de competitividade. Em um mundo assim transformado, todos os lugares
[10] tendem a tornar-se globais, e o que acontece em qualquer parte habitada da Terra tem relação com
o acontece em todos os demais.
Daí a ilusão de vivermos em um mundo sem fronteiras, uma aldeia global. Na realidade, as relações
chamadas globais são reservadas a um pequeno número de agentes, os grandes bancos e empresas
transnacionais, alguns Estados, as grandes organizações internacionais.
[15] Infelizmente, o estágio atual da globalização está produzindo ainda muitas desigualdades. E, ao
contrário do que se esperava, crescem o desemprego, a pobreza, a fome, a insegurança no cotidiano,
em um mundo que se fragmenta e onde se ampliam bastante as fraturas sociais.
Não cabe, todavia, perder a esperança, porque os progressos técnicos obtidos neste fim de século
20, se usados de outra maneira, bastariam para produzir muito mais alimentos do que a população
[20] atual necessita e, aplicados à medicina, reduziriam drasticamente as doenças e a mortalidade.
Um mundo solidário produzirá muitos empregos, ampliando um intercâmbio pacífico entre os
povos e eliminando a belicosidade do processo competitivo. É possível pensar na realização de um
mundo de bem-estar, onde os homens serão mais felizes, um outro tipo de globalização.
MILTON SANTOS (1995). Adaptado de www1.folha.uol.com.br.
Em Vivemos um novo período na história da humanidade. (l. 1), o autor faz uma afirmação que ele mesmo justifica ao longo do texto.
Um fragmento do texto que não constitui uma justificativa para essa afirmação é: