TRECHO 1
Vento
Se a gente jogar uma pedra no vento / Ele nem olha para trás. / Se a gente atacar o vento com enxada / Ele nem sai sangue da bunda. / Ele não dói nada. / Vento não tem tripa. / Se a gente enfiar uma faca no vento / Ele nem faz ui. / A gente estudou no Colégio que vento / é o ar em movimento. / E que o ar em movimento é vento. / Eu quis uma vez implantar uma costela / no vento. / A costela não parava nem. / Hoje eu tasquei uma pedra no organismo / do vento. / Depois me ensinaram que vento não tem / organismo. / Fiquei estudado.
(BARROS, Manoel de. Poemas rupestres. 4 ed. Rio de Janeiro: Editora Record, 2007, p. 37)
TRECHO 2
“A poesia de Manoel de Barros não é de fácil recepção. A magia de sua palavra age profundamente sobre o leitor, embora a compreensão permaneça desorientada. Essa obscuridade, um objetivo das artes modernas, é intencional.”
(SILVA, Marileusa F. da. Manoel de Barros: o poeta da palavra. In: SANTOS, Paulo S. Nolasco dos (Org.). Ciclos de literatura comparada. Campo Grande: Editora UFMS, 2000, p. 73)
A ideia defendida por Marileusa Ferreira da Silva no trecho 2, se aplicada ao poema Vento (trecho 1), permite que se afirme que