UEL 2025 · Questão 40
Triste de quem vive em casa, Contente com o seu lar, Sem que um sonho, no erguer de asa, Faça até mais rubra a brasa Da lareira a abandonar! Triste de quem é feliz! Vive porque a vida dura. Nada na alma lhe diz Mais que a lição da raiz Ter por vida a sepultura. Eras sobre eras se somem No tempo que em eras vem. Ser descontente é ser homem. Que as forças cegas se domem Pela visão que a alma tem! E assim, passados os quatro Tempos do ser que sonhou, A terra será teatro Do dia claro, que no atro Da erma noite começou. Grécia, Roma, Cristandade, Europa os quatro se vão Para onde vai toda idade. Quem vem viver a verdade Que morreu D. Sebastião? PESSOA, Fernando. Melhores poemas de Fernando Pessoa. Seleção Teresa Rita Lopes. 12. ed. São Paulo: Global, 2004, p. 54-55.
Sobre a forma do poema, considere as afirmativas a seguir.
I. O poema constitui-se de métrica irregular e todos os versos são octossílabos.
II. Observa-se o uso de anáfora e de paralelismos sintáticos nas três primeiras estrofes.
III. Há regularidade nas rimas de cada estrofe: o primeiro, o terceiro e o quarto versos rimam entre si; e o segundo verso rima com o quinto.
IV. Há no verso "Ter por vida a sepultura" tanto uma metonímia quanto uma antítese.
Assinale a alternativa correta.
Resolução passo a passo com explicação detalhada
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