FUVEST/OBJ 2025 · Questão 10
TRUMP, "O EXAGERO INOCENTE" E AS INSTITUIÇÕES
HÁ UM PARADOXO ENTRE PODER EXECUTIVO FRACO NOS ESTADOS UNIDOS E O ESTILO IMPERIAL DO NOVO PRESIDENTE
Em The Art of the Deal ("A Arte da Negociação"), Donald Trump afirma que: "a chave final para a maneira como eu consigo as coisas é a bravata. Eu jogo com as fantasias das pessoas. Elas nem sempre pensam grande, mas ainda podem entusiamar-se muito com aqueles que pensam. É por isso que um pouco de hipérbole nunca faz mal. As pessoas querem acreditar que algo é o maior, o melhor e o mais espetacular. Eu chamo isso de hipérbole verdadeira. É uma forma inocente de exagero — e uma forma muito eficaz de se conseguir o que quer".
Escrito há duas décadas, o livro nos dá a chave para propostas desvairadas como a aquisição da Groenlândia e a retomada do Canal do Panamá. São bravatas. Que elas tenham funcionado é o que merece nossa atenção. A eficácia do discurso populista funda-se em larga medida na política da autenticidade. Bravatas antissistema e "exageros inocentes" não são dissimulados; caracterizam os autênticos.
Obviamente Trump não atua em um vazio institucional; pelo contrário, opera em um ambiente institucional com fortes restrições. Mas, por uma combinação de circunstâncias, tais restrições nunca foram tão débeis: Trump conta com maiorias nas duas casas do Congresso (embora por pequena margem no Senado). E também na Suprema Corte.
(Marcus André Melo. [Professor da Universidade Federal de Pernambuco e ex-professor visitante do MIT e da Universidade Yale (EUA)]. Disponível em https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marcus-melo/2025/01/trump-o-exagero-inocente-e-as-instituicoes.shtml)
Bravata: ameaça feita de modo arrogante.
O texto menciona que a eficácia da bravata e da hipérbole no discurso político se sustenta, em parte, na "política da autenticidade”, fenômeno que se intensificou na era digital. O impacto das redes sociais nesse contexto pode ser observado no fato de que
Resolução passo a passo com explicação detalhada
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