Um crescente protagonismo escravo, pontuado pelas lutas por direitos, pela ampliação de espaços de negociação e, no limite, já na década de 1880, pelo próprio fim do regime servil, no bojo da campanha abolicionista, se sobrepôs à consolidação de uma sociedade escravista madura. (...) Nesse quadro, havia fatores de natureza conjuntural, tanto no plano nacional quanto internacional, como a participação de libertos e setores populares na guerra do Paraguai e o impacto de seu retorno ao Brasil após a vitória; o surgimento de uma nova opinião pública crítica à ordem estabelecida (...); o isolamento internacional da escravidão após a derrota dos Estados Confederados na guerra civil norte-americana. Todos esses fatores somados contribuíram para que as lutas e práticas cotidianos dos escravos ressignificassem e transformassem disposições seculares da escravidão brasileira, conferindo-lhes, então o sentido claro de busca da liberdade como direito, não apenas individual, mas de toda a população cativa.
Adaptado de SALLES, Ricardo. In: CARVALHO, José Murilo de (Org.). Nação e cidadania no Império: novos horizontes. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007.
Em relação ao fim da escravidão enquanto regime de trabalho legalizado durante o Brasil Império, é possível afirmar que resultou